terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

U2 - Sometimes You Can't Make it On Your Own

                                                     
Tough, you think you’ve got the stuff
You’re telling me and anyone
You’re hard enough

You don’t have to put up a fight
You don’t have to always be right
Let me take some of the punches
For you tonight

Listen to me now
I need to let you know
You don’t have to go it alone

And it’s you when I look in the mirror
And it’s you when I don’t pick up the phone
Sometimes you can’t make it on your own

We fight all the time
You and I… that’s alright
We’re the same soul
I don’t need… I don’t need to hear you say
That if we weren’t so alike
You’d like me a whole lot more

Listen to me now
I need to let you know
You don’t have to go it alone

And it’s you when I look in the mirror
And it’s you when I don’t pick up the phone
Sometimes you can’t make it on your own

I know that we don’t talk
I’m sick of it all
Can  you  hear  me  when I
Sing, you’re the reason I sing
You’re the reason why the opera is in me…

Where are we now?
Still got to let you know
A house still doesn’t make a home
Don’t leave me here alone...

And it’s you when I look in the mirror
And it’s you that makes it hard to let go
Sometimes you can’t make it on your own
Sometimes you can’t make it
The best you can do is to fake it
Sometimes you can’t make it on your own


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A crença


O ano, 1988, dia 17 de Novembro. O homem, Luís Carlos Tóffoli, o Gaúcho.
Era mais um jogo do Campeonato Brasileiro, porém, esse entraria para a história do clube Alviverde Imponente. No prélio, Flamengo, o mandante e Palmeiras. Não foi dia de Maracanã lotado, o público modesto, apenas 14.638 pagantes e alguns pouquíssimos palmeirenses que se aventuraram numa comitiva rumo ao Rio, chegaram ao Estádio com 20 e poucos minutos de partida em andamento, sendo recebidos com hostilidade pela torcida adversária e quase massacrados, não fosse intervenção policial.
O jogo seguia tenso, a dupla Zico – Bebeto atacava, mas sem objetividade. O segundo tempo viria para acentuar o drama da partida. Após entrada violenta no jogador flamenguista, Denys recebe cartão vermelho, o Palmeiras tem dez jogadores. Após a expulsão, o Alviverde abre o placar, Mauro marca para os visitantes, mas eis que os deuses do futebol resolvem aumentar o teor emotivo da partida e em uma entrada criminosa, Bebeto quebra a perna de Zetti, guardião do gol palmeirense. Ênio Andrade já havia realizado as substituições permitidas, então surge o homem, Gaúcho, centro avante, é o escolhido para substituir Zetti.
Com a substituição no gol, acontece o previsível, chuveirinho carioca na área, Zico tabela, Bebeto empata a partida no final do jogo. Pelas regras vigentes naquele ano, jogos terminados em empate deveriam ser disputados nos pênaltis. A torcida rubro negra exulta nas arquibancadas, os pouco palmeirenses ficam apreensivos e têm início as cobranças.
Gaúcho, todos os holofotes e câmeras nele. O torcedor fecha os olhos. Gaúcho defende e defende ainda outra vez, além de converter, também, sua cobrança. Maracanã em silêncio, público incrédulo. Vitória Palestrina.
É preciso crer, como aqueles poucos palmeirenses que viajaram mais de 400 km para apoiar seu desacreditado time. Crer, como Gaúcho, que ao final do tempo regulamentar declarou "eu vou pegar, nós vamos ganhar". Precisamos crer que amanhã será um dia melhor, se não for, depois de amanhã será. Precisamos crer que para a vida não há diagnóstico, tampouco receita, ela está aberta a todas as possibilidades, a do chute violento que te tira do curso e vira o jogo e a do centro avante que defende o gol e, mais uma vez, o destino é mudado. A dureza do prélio não tarda, como canta a magnífica canção, mas precisamos entrar nele acreditando que ganharemos, ainda que com um a menos, com perspectivas desfavoráveis. O jogo pode ser mudado, sempre. Concordo com Rodrigo Amarante, a chave é não se preocupar, ter fé e ver coragem naquilo que está para além de nossa estreita compreensão.
Salve Gaúcho, salvem todos aqueles que em um dia que tinha tudo para dar errado acreditaram e voltaram vitoriosos para casa.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Tudo o que você sempre quis saber sobre a vida, mas tinha vergonha de perguntar







quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Os mutantes (Parte II)


Quando nos tornamos essas megeras insensíveis, incapazes de perceber que o outro está cansado e precisa de espaço? Quando é que começamos a pensar que "você não me deu um beijo", "você me magoa", "não entende meus sentimentos"? Quando eles se tornam esses calhordas que justificam toda pisada de bola com "você me tirou do sério", "está sendo injusta comigo", "eu sou um anjo, por que não confia em mim?".

Mais difícil que responder essas perguntas é descobrir o momento que a corda foi rompida, o instante em que o véu caiu e, daí, a percepção de que as coisas mudaram. Tudo muda (salve Nietzsche!) mas, onde nós estávamos enquanto esse processo corria? Por que o choque súbito do "eu não te reconheço"?

Acho difícil conceber que, de uma hora para outra, um dos motivos de sua alegria se transformou num dos flagelos do apocalipse, creio que pelo fato dessa transformação não ter ocorrido de repente e menos ainda sem a participação da parte reclamante. Como diria meu amigo Bucha, citando alguém: "o processo é lento, mas o barato é louco" e na lentidão das transformações vamos nos ocupando do canal que não entra, da porta que emperra, da geladeira que precisa ser trocada e do trabalho maçante de todos os dias. Perdemos o trem da transformação, então, um dia acordamos, olhamos para o lado e pensamos: "não foi com ele que eu me casei" oras, se não foi com ele então com quem foi??? Mais do que ninguém, a pessoa com que se está é aquela que maior influência exerce nas transformações, podemos inferir, a partir disso, que pessoas que estejam em um relacionamento (não me refiro só a casais, mas também a outras esferas de relacionamento, como a familiar, de trabalho etc) criam os monstros que as assombram pelo tempo em que a coisa durar; se o tal do "te tornas responsável pelo que cativas" é real, como não nos apercebemos do que estamos criando? E depois reclamos de não "conhecermos mais" o dito cujo.

A chave que nos ajudará a responder essas perguntas está na longa duração, no vento que sopra um grão de areia hoje, outro amanhã e os desloca para outro lugar, até que um dia uma nova duna seja formada e o cenário modificado. O instante crucial da percepção está na leveza do vento que sopra.

Para os que temem o desafio das mudanças, o ideal seria considerar a embalsamação, em temperaturas e condições ideais pode se conservar alguém imutável por séculos, se você anda achando que todo mundo é bipolar ou sofre de desnível hormonal o mês inteiro, é um caso a se considerar.

Os mutantes (Parte I)


23:45 hs. Vizinhos ainda discutem a relação em baixo de minha janela.

O diálogo:
Ela: você tá muito mudado, não é aquele que eu conheci há cinco anos... hoje, você chegou do trabalho, colocou as coisas em cima da mesa e nem me deu um beijo. Antes, isso era a primeira coisa que você fazia quando chegava em casa.
Ele: eu saí de casa às 8:00 da manhã, trabalhei o dia inteiro, tô super cansado! Será que você não entende isso?
Ela: eu estou muito magoada, sábado você saiu com meu primo dizendo que ia fazer a festa com a mulherada.
Eu: uiaaaa
Ela: eu te liguei no celular, já era quase 01:00 da manhã e nada, fiquei te esperando até as 05:00 hs e não aguentei de sono, você se jogou no sofá e quando amanheceu nem falou comigo.
Ele: eu falei aquilo pra te provocar, eu tava muito irritado com você naquele dia, mas pô! Você é minha mulher, devia confiar em mim! Eu confio completamente em você e só recebo desconfiança em troca. Todo mundo vê quanto amor e carinho eu te dou, sempre te tratei bem e continuo tratando, você sabe que eu te adoro.
Ela: eu só queria que as coisas fossem como eram quando nós nos conhecemos.
Os dois perceberam que incomodavam o sono dos vizinhos e resolvem entrar em seu apartamento.

Hoje cedo.
Ela: tchau, fulano! Tenha um bom dia, bom trabalho!
Ele: (silêncio)
Ela: não vai responder? Então tenha um péssimo dia!! Um dia horrível de trabalho pra você!!!

Acho que não vai rolar beijinho na volta do trabalho.